segunda-feira, 23 de março de 2020

Cosmo

O que sou diante de tão grande universo? Existe uma razão para tudo? Trens lotados, interiores vazios, conotações sombrias, longitude de uma vida incerta. Laços de amizade, aquela visita desagradável, noticiário sobre tragédia, e chegam aqueles malditos dias que me sinto mais solitária, e é nesse exato momento paro para refletir a que ponto chegou a humanidade. Eu me pergunto onde foram parar meus planos e até onde estou realmente concentrada? Na realidade ou apenas me deixando levar pela fantasia? O som dos motores é incessante lá fora, e no âmago apenas o silêncio grita aos ouvidos. Ele tenta lembrar que nascemos sozinhos e que a única certeza da vida é a morte. E eu escrevo essas palavras que nunca serão ditas. Elas são parte de mim. Uma parte que ninguém conhece, que surge quando todos estão longe. Essas palavras nasceram da minha solidão, e se tornam a minha companhia. Eu escrevo na primeira pessoa do singular porque sou eu quem choro, que sangro, que vivo. Nunca obterei todas as respostas. Os questionamentos sempre serão maiores. E apesar de reclamar de quase tudo, eu nunca desisti, eu insisto, luto e persisto. Mesmo sabendo que a porcentagem de dar certo é igual a zero. Tudo é efêmero. E quando os dias maus me sobrevém, eu para um instante para observar as estrelas. Elas são o mais próximo que eu posso chegar do céu, e o mais longe que eu posso estar da terra. Acredito que Deus as fez para os dias sem esperança, para observarmos que ainda há um propósito debaixo de tudo que acontece.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Aurora

Tô aqui pra te contar que você me tem feito sorrir. Mas não é um sorriso qualquer. É um sorriso que traz paz e acalma. Eu te olho e sinto vontade de morar em ti. Quero sentir tuas mãos que tocam violão tocar o meu corpo como quem compõe uma canção. Quero beijar sua boca e marcar cada curva escrevendo poesias sobre isso. Quero me deitar ao teu lado, te fazer provar de mim, fazer amor gostoso e calmo de quem não tem pressa alguma de partir. Você tem cheiro de 4 de julho em uma cidadezinha pacata na Carolina do Norte, numa manhã fresca e suave onde as famílias saem para celebrar. É que eu adoro esse seu sorriso que deixa seus olhos fechadinhos destacando suas bochechas. Seu sorriso tem uma doçura que acalma a minha alma. Talvez você nem tenha noção do quanto é incrível, e eu não conseguiria não me encantar. Tudo em você me traz segurança. Tua brisa suave acalma todo o meu furacão. Eu te quero por inteiro, fazer do meu abraço teu lar. Quero até suas partes danificadas, para que juntos possamos ser melhor. Sei que nossos futuros são incertos e que é apenas uma possibilidade, mas não me importaria de passar ele todo com você. Eu que não gosto de nada gostei de você. Você tem luz e faz minha alma sorrir.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Lar

Tudo mudou. Não te vejo mais como antes, tu me fizestes enxergar algo que há um bom tempo não tenho visto em olhos gentis. Quando alguém consegue nos despertar descobrimos latifúndios em campos abandonados. É assim que tenho me sentindo, como às águas do rio Amazonas que nascem calmamente na Cordillera dos Andes. É acolhedor, parece que os céus se compadecem e me sinto envolta em uma nuvem. Eu descobri em ti um gosto que ainda não havia sentido em outro alguém, e me questiono onde eu estivera que ainda não havia degustado. Eu te conheci duas vezes nesse espaço de tempo que chamamos de vida, a primeira sem propósito algum, num dia qualquer de sábado. A segunda porque era preciso. Tenho me embevecido e conotado por você ter essa alma tão celeste que me traz calmaria. Você coube direitinho nas minhas músicas, nos versos, no coração e no dia a dia. É como ver o alto mar pela primeira vez e sentir a imensidão aqui dentro lavando a minha alma. Espero que você compreenda, isso não é paixão. Paixão devasta e acaba em uma fração de segundos. Eu tô falando de gostar, e gostar a gente gosta das mesmas coisas todos os dias. É como comer aquele prato de comida favorito, por mais que você enjoe em dado momento, tu sempre vai gostar do seu prato de comida favorito. Gostar é escolha. E nesse cardápio de pessoas eu saboreei teu gosto de lar. Sim, tu tem gosto de lar. E eu que sempre fui caseira gosto de morar. Talvez eu nunca saberei ao certo o que dizer, mas eu quero morar em você. Pretérito imperfeito, pra vida; pra gente sentar, tomar café, chorar e ali desabafar, recomeçar, rir e amar.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Malograr

Fracassar. Um verbo intransitivo. Sinônimo de não ter o resultado que se espera, malograr-se. Uma palavra forte que destoa milhões de sensações. Eu me pergunto, o que eu fiz da vida até agora? O que eu tive? O que eu conquistei? Em tudo que eu tentei eu fracassei. Não me recordo de ter grandes conquistas, sejam elas pessoais, profissionais ou amorosas. Tudo virou rascunho que fora escrito pela metade e virou poeira. Entre idas e vindas eu me questiono e se eu tivesse feito diferente? Toda tentativa de recomeçar é apenas mais uma frustração. E anos passam, e continua tudo no mesmo quadrado. Trinta anos. Quantos mais assim serão? Me afago e me afogo nas minhas próprias ilusões que nada me dão sentido e direção. Sinto-me um ponto de interrogação em meio a milhões. Olho meu reflexo no espelho e me pergunto quem eu sou. Busco respostas que nunca encontrarei. Não sei de mim, nem das leis, muito menos da vida. Me sinto um objeto usado por todos com prazo de validade. Questiono meu valor, minha beleza e sabedoria. Qual meu propósito? O que eu vim fazer no mundo? Dou passos largos que levam para trás. O que é o amor? Será que sou uma boa pessoa de verdade? Por que tudo tem que dar errado? Queria desistir de mim, mas nem para isso eu consigo ir até o fim. Continuarei como um objeto inerte no meio do Oceano Atlântico buscando resposta e direção.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Mil quatrocentos e sessanta e um dias.

A linha tênue entre o tempo, o lugar, nós dois. Vislumbro fragmentos de algo — que ainda será. O cata-vento gira, em harmonia com o vento. Vento esse que parece só falar de você. Traz seu cheiro, seu nome, sua essência. Eu só sei sentir, saudades. Quilômetros não são maiores que o espaço que você ocupa em meu peito. Se te vejo, logo desvio meus olhos, mesmo tendo já todos teus mínimos traços guardados dentro de mim. Não consigo te encarar depois você me notar fixamente. Fico sem reação, sem saber o que fazer depois. Tu pareces ter um dicionário que decifra meus olhos, meu sorriso, meu corpo e meu coração. Pois, tu sabes, que todos estes te pertencem. É incrível a serotina que você causa em mim. Mas não é só sobre sentir. É sobre ser. E você sabe exatamente como ser. Faz muita diferença na vida da gente alguém presente, mesmo com a rotina pesada e cheia de problemas existentes. Alguém que sabe te compreende só um pouquinho de quem você é e sente. Que fala quando você está errado, o que não é o certo, que te ensine sobre a vida e que dá a maior força para você ser melhor. Alguém que seja seu amigo. Dar certo não é sobre especificamente durabilidade. E sim, pela intensidade da coisa, pelo afeto compartilhado, pelas experiências trocadas e principalmente pelo crescimento pessoal. Isso sim é dar certo! Quando amamos alguém, e esse alguém nos faz bem, o coração parece sentir uma vontade enorme de gritar pro mundo que estamos felizes, mas, ao mesmo tempo, sabemos que algumas felicidades só são vividas de verdade se compartilhadas com poucos — ou ninguém. Te amar é bom assim. A vida é um mapa sem rosa-dos-ventos, e entre tantos anos, em meio a tantos outros, eu agradeço mais um ano por ter encontrado você.

domingo, 14 de outubro de 2018

Enquanto

Escuta-me dizer em voz baixa, enquanto a órbita da terra está alinhada no espaço: Amo você. Sim. Eu amo você. Enquanto as guerras fazem mortos e o ser humano morre lentamente por causa do seu ego. Nos livros de Steel, nos contos de Austen, nos dramas de Bukowski e na fala de quem não tem o que comer. Naquilo que é inverdade, no arco-íris preto e branco. Com a solidão sussurrando e o vazio exaurindo meus espaços e a incompreensão batendo na porta. Na paz que deixou de existir e na esperança carregada nos olhos da criança e daquele que está ferido. Porque os dias estão atribulados e o peso da tormenta é grande demais para aguentar sozinha. Eu tenho repetido que é longevo. Quase como um mantra para que eu jamais me esqueça da sua presença me invadindo quando fecho os olhos e me lembro do seu corpo junto ao meu. Os carros da cidade buzinam insolência e eu só preciso me aninhar no teu abraço e fazer dele minha casa. Teu corpo é minha moradia contra trovoadas e chuvas ácidas, teus braços são montanhas na qual eu descanso, alívio. Teu olhar são dias nublados que me trazem paz. Até quando tropeço no meio da rua e até as pedras, meu bem, até as pedras sabem o motivo dos meus sorrisos. Nos furacões norte-americanos e nos tsunamis japoneses, nas ilhas e nos desabrigos da alma: Eu amo você. Eu sempre amei. Eu amo você.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Gira(meu)sol

Eu lírico, volto a plantar, essa pseudo poesia, para germinar. Que expressas sentimento de alegria, divina, fina, luz do sol, flor de menina. Sonante ao meu peito, solo fértil, vivacidade, amarela cheia de simbologia. Hastes forte, tu prestas homenagem a pessoa escolhida, guia seu amor, cheia de vida. Trazes beleza as cidades em suas mais escurecidas ruínas. Minha hélios, múltipla e extraordinária, te vejo nas mais longevas colinas. Passear pelos teus campos é como deitar em um lençol aconchegante estendido no universo. Cada pétala contém inspiração em forma de letra, para que assim eu te escrever esses versos. Eu que não gosto de rosas, ti fiz minha preferida, nem mais outra observo. O yellow amarelo, mais belo do meu jardim, sorri para mim. Tu que nos dias mais nublados encontras o mercúrio. Admiro-te. És a mais bela, entre todas elas, meu girassol.